segunda-feira, 16 de agosto de 2010

[Crítica] Broken Bells - Broken Bells

Duas ideias importantes a reter sobre Danger Mouse:

1 - O produtor referiu uma vez que o segredo do seu sucesso estava no facto de saber escolher as pessoas com que colabora. É uma ideia paradoxal. Por um lado, os seus companheiros de trabalho são bons (por vezes extraordinários) podendo ofuscar o trabalho de laboratório de Brian Burton (seu verdadeiro nome), sendo ele, portanto, o elemento menos importante da equação. Por outro lado, Danger Mouse é bom porque é ele que escolhe os colaboradores - só esse dom, aliado ao seu talento natural, confere-lhe a imortalidade.

2 - Os projectos de Mouse raramente vão para lá de um único disco - excepção: Gnarls Barkley. De um lado temos um Mundo de fãs de um único projecto a chamar nomes feios ao produtor. Do outro temos um conjunto de melómanos cada vez mais rendidos aos talentos de um músico ímpar.

Com James Mercer, voz dos Shins, Burton volta a fazer um disco perto das convenções "indie" - de repente lembramo-nos das colaborações com Beck, com os Gorillaz e o polémico, mas maravilhoso Dark Night Of The Soul, em colaboração com os Sparklehorse, do falecido Mark Linkous. Temos samples, alguns tiques hip hop que o produtor não esquece, falsetes, belas orquestrações e um conjunto de canções fantásticas. Algumas referências: "The Ghost Inside" podia ser dos Gorillaz, em "Sailing To Nowhere" lembramo-nos dos Mars Volta e "October" faz-se um apanhado das guitarras que nos levam, invariavelmente, a bandas como os Gang of Four, Franz Ferdinand ou Futureheads. Chegamos a jurar que também por aqui andam os New Order a tornarem-se numa qualquer banda psicadélica da década de 60. Ah! E há "High Road" um dos momentos pop mais perfeitos do ano.

Não sabemos o que vai Danger Mouse fazer a seguir. Não atingirá certamente o nível mediático dos projecto com Cee-Lo Green, os Gnarls Barkley. Mas estamos certos que os níveis criativos, esses não vão baixar. Já começam a ser demasiados tiros certeiros dele desconfiar.
8/10

sábado, 14 de agosto de 2010

[Crítica] The National - High Violet

Há qualquer coisa nos chamados "mais esperados do ano" que, normalmente, os torna menores do que aquilo que antecipávamos. Se no cinema nem sempre os "mais esperados" são-no pelas melhores razões, na música a expectativa aumenta quanto melhor for o clássico (ou clássicos) que ficou lá atrás. Os "mais esperados (ou antecipados) ”, referíamos, raramente cumprem as expectativas - precisamente porque estas estão lá em cima, bem altas e a banda num pedestal inalcançável. É por isso que High Violet é especial: vence inapelavelmente o jogo das expectativas (altas, muito altas).

O quinto disco dos norte-americanos é uma pequena maravilha - sim, é superior a Boxer, por mais incrível que Boxer seja (e é). Mas atenção: as principais premissas mantém-se. Aliás, os National não tinham muito que escolher, restava-lhes voltar a fazer mais um conjunto de canções perfeitas - com "Terrible Love", "Anyone's Ghost", "Afraid of Everyone", "Bloodbuzz Ohio" e "Conversation 16" - tudo grandes, grandes, enormes canções - à cabeça. O quinteto de Brooklyn volta a dar uma enorme preponderância à bateria e, desta feita, há Nick Cave na voz de Matt Berlinger para além dos já conhecidos tiques à Stuart Stapples (Tindersticks) e Ian Curtis. Os National chamaram Sufjan Stevens à equação, mas nem era necessário. Mesmo sem o autor de Illinois, o álbum continuaria a roçar a perfeição.

High Violet é o disco que confirma os National como uma certeza absoluta e o segundo clássico instantâneo na carteira de uma banda especial.

9/10