sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[Reportagem] - Rock Rendez Worten (Alternativo) - 8 de Outubro - Galeria Zé Dos Bois


A quarta noite da segunda edição do Rock Rendez Worten revelou uns seguros Soapbox e uma surpresa, os PUNTZKAPUNTZ.

Os Soapbox são cada vez mais uma certeza no panorama musical português. Depois da vitória no Super Bock Super Rock Preload, o quinteto continua a fazer pela vida e volta a participar num concurso de grande visibilidade. A banda lisboeta usa e abusa dos pedais de efeitos e tem no seu vocalista um poço de carisma onde pode ir beber alguns votos. A sonoridade anda à volta de um electro-rock bem suado. O resultado é bem melhor que o de um Slimmy, por exemplo.

A surpresa da noite dá pelo nome de PUNTZKAPUNTZ. São cinco, têm uma boa disposição contagiante e parecem abarcar com eles o conhecido slogan "peace & love". Descontraídos, mostraram na Zé dos Bois um excelente cocktail que inclui ska, punk, reggae e soul. A vocalista quando não canta tem uma postura que parece forçada, mas quando canta é seguríssima e – aí sim – tem personalidade. Uma surpresa que promete uma luta bem reunida com os Soapbox.

Os Lua Cadillac - os últimos a terem oportunidade de entrar em palco - à imagem dos Soapbox, também apreciam pedais de efeitos. O vocalista sobe ao palco numa postura que está muito em voga do tipo "quanto mais ridícula for a imagem melhor", o que implica óculos e gorro a condizer. São a banda mais dura da noite. Não são maus, mas é difícil distingui-los de muitas outras bandas. São os outsiders da categoria.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

[Música] - Muse - The Resistance


Algo de diferente se nota no universo pop/rock quando no espaço de 11 meses são editados três discos com elevado grau de megalomania. O primeiro é óbvio, Chinese Democracy, disco fantasma que afinal não o é. O segundo é 21st Century Breakdown dos Greenday, o difícil sucessor do super épico "American Idiot". E agora os Muse com este Resistance. Neste campo, esqueçam o segundo disco dos Grizzly Bear e o terceiro dos Kasabian. Não entram para estas contas.

Meses antes da edição do álbum, já o burburinho era enorme. Os primeiros vídeos dão conta de algumas experiências bizarras que – sabemos agora – nunca estiveram relacionadas com o produto final. Depois veio "United States of Eurasia", canção que não tem apenas a marca de água dos Queen. Já há vídeos que fazem uma curiosa montagem entre a canção dos Muse e "We Are The Champions", de Freddie Mercury e companhia. Por fim, é editado o primeiro single, "Uprising", provavelmente, o pior single de sempre dos Muse. A canção começa com teclados sombrios arrastando-se até um refrão extremamente catchy, ao qual sucede um riff banal ali colocado às três pancadas. Mas que belos mediadores de expectativas se revelavam estes Muse.

Sejamos pragmáticos, o quinto disco dos britânicos está ao nível das mais ambiciosas óperas rock. Mas é muito mais que isso. É uma revisão da matéria dada ("Resistance"), é épico ("Unnatural Selection") e tem os Queen como porta-estandarte para atingir a imortalidade (a já referida "United States of Eurasia"). Falta o derradeiro acesso de megalomania, uma sinfonia composta por três partes que fecha o disco de forma completamente inesperada.

The Resistance é o disco mais ambicioso do ano. A ambição é tão desmedida que a muito Timbalandiana "Undisclosed Desires" chega a passar ao lado de qualquer tipo de surpresa. No fim, os Muse podem cambalear, mas não caiem.

6/10