domingo, 4 de outubro de 2009

[Música] - Monsters of Folk - Monsters of Folk


Olhamos para a capa de Monsters of Folk e lembramo-nos que há muito, muito tempo, um conjunto de músicos sob a denominação de Crosby, Stills, Nash & Young fabricou alguns dos melhores objectos musicais da década de 70. O conceito aqui é mais ou menos o mesmo.

Partimos de uma outra questão para expor o problema: O que acontece quando se juntam M. Ward, Conor Oberst e Mike Mogis – ambos dos Brigth Eyes – e Jim James – estrela mor dos My Morning Jacket? Provavelmente o comum dos mortais pensaria num milagre como produto final, certo? Já lá vamos.

A questão não é assim tão linear. Acima de tudo, há que ter em conta as expectativas. E como eram altas as expectativas…! "Dear God", a abrir o disco, começa com uma surpreendente batida «trip-hop» e melodia trauteada em falsete. É uma grande canção. "Say Please" é uma canção alegre, hino de Verão com tudo no sitio – incluindo maravilhosos solos de guitarra. "Temazcal" tem lá dentro os Spiritualized do último Songs in A&E (elogio) e "His Master's Voice" tem falsetes à Fleet Foxes, sensação «folk» do ano passado. "The Right Place" é monumental, a canção do disco e uma das que marcará de 2009. Há ainda canções muito interessantes como "Man Named Truth", "Goodway", "Losin Yo Head" e "Sandman, The Brakeman & Me" e "His Master's Voice", mas nada que nos faça colocar este disco como um dos discos maiores da década. E era nessa categoria que Monsters of Folk deveria estar.

O talento dos quatro músicos é inquestionável. Não existe sobreposição de egos e isso é de louvar. Provavelmente será tudo uma questão de expectativas. No fundo, o que causa mais confusão é mesmo o nome do projecto.

7/10



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

[Reportagem] - Green Day, 28 de Setembro, Pavilhão Atlântico


Passam-se agora cinco anos desde a edição de American Idiot - o mui épico disco que colocou os Greenday mais perto do céu e mais longe do «punk-rock» açucarado que caracterizara os discos da banda até aí - e oito ou dez desde o último e único concerto da banda em Portugal. 21st Century Breakdown, último disco da banda de Billy Armstrong, tem meses. Foi esse o grande pretexto para o concerto no Atlântico.

O oitavo disco dos Greenday, embora o conceito seja o mesmo, anda longe dos melhores momentos de American Idiot mas ganha uma dimensão enorme ao vivo. As boas canções do disco são, aliás, despachadas logo no início: o tema título, "Know Your Enemy" e "Before The Lobotomy". No outro lado, "Song of The Century" – o nome é uma heresia, mas a canção funciona mais como uma introdução que como documento musical, pelo que tem desculpa –, ”East Jesus Nowhere", “Static Age", "American Eulogy”, “21Guns", canções menores que desequilibram o disco.

Se o novo disco divide os fãs - já American Idiot o tinha feito anteriormente e em proporções bem mais significativas -, já clássicos como "Welcome To Paradise", "She", "Jaded", "Basket Case", "Minority" e - porque não? - "Jesus Of Suburbia" são recebidos como verdadeiros hinos que são.

Depois há Billy Armstrong, puro entertainner que puxa pelo público – de uma forma literal, mesmo para cima do palco –, experimenta os adereços mais ridículos - muitos estão disponíveis numa rua do Bairro Alto (à noite) bem perto de si -, recruta guitarristas - um miúdo de 17 anos tocou meia "Jesus Of Suburbia" - e vocalistas - um outro miúdo assassinou "Brain Stew".

Goste-se ou não, os Greenday são hoje uma das grandes máquinas rock, tanto ao vivo como em estúdio – há quanto tempo não falham um single, independentemente da qualidade dos mesmos? Ainda poderão ser tratados como um fenómeno «punk»? Pouco, muito pouco. Tornaram-se demasiado grandes para se esforçarem em cheirar mal e em usarem roupas demasiado gastas.


Nota: A foto não corresponde ao concerto em questão