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domingo, 22 de maio de 2011

[Reportagem] Cass McCombs - 20 de Maio - Musicbox


Há poucas semanas, a Galeria Zé dos Bois (ZdB) denunciou, em comunicado no Ípsilon, o suplemento cultural do jornal Público, que “ainda não recebeu uma única parcela do montante que lhe foi adjudicado para o presente ano, tendo sido obrigada a recorrer ao crédito e a prescindir de colaboradores essenciais”. É de louvar que a programação da ZdB, independentemente de todos os problemas por que instituição passa, devido aos cortes de apoio do estado, continue a ser tão interessante quanto ambiciosa. A ver vamos o que se segue nos próximos meses, sabendo que a situação não é fácil.

Desta feita, o concerto de Cass Mccombs do passado dia 19 de Maio dificilmente poderia ter corrido melhor, do ponto de vista do retorno financeiro: esgotado.

Acompanhado de uma banda – que revela um baixista que poderia ser um membro perdido dos ZZ Top - Cass Mccombs, personagem cativante e misteriosa, entra de boné e cabelo apanhado para começar com a fabulosa canção de abertura de “Wit’s End”, «County Line», canção em que discorre sobre o mais antigo dos temas, a dor de corno. As canções do mais recente disco, esse “Wit’s End”, o álbum que vem à ZdB apresentar, são canções longas, com mais de cinco minutos, mas são canções acessíveis e fáceis de adorar.
John Peel dizia que Mccombs era “discretamente brilhante”. Temos que concordar, o músico californiano não deixa que se saiba muito sobre si e raramente dá entrevistas. É um tipo recatado, mas afável. Nas horas livres é, como referiu John Peel, brilhante. “Maybe I’m Wrong / Maybe I’m Working for the Day”, desabafa na fantástica «Burried Alive» – e assim Mccombs resume toda a sua existência de forma subtil.

As canções são quase todas downtempo e descrevem ambientes melancólicos. No momento mais singular do espectáculo, as guitarras distorcem e somos presenteados com um grande riff que as Dum Dum Girls não recusariam. É rock n’ roll, mas não muito, que este tipo que, fala pela banda que o acompanha, não ingere álcool e (desconfiamos) renega as drogas.

Naquele que foi o maior problema da noite na ZdB, o calor, o norte-americano teve o condão de transformá-lo num momento mágico. Ao longo da actuação foi-se queixando do “muito calor”, pediu o “ar condicionado”, apelou à abertura das janelas e, por fim, já na última canção, em desespero, pediu que desligassem as luzes. “Desliguem tudo, temos as luzes de lá de fora”. E assim foi, um momento mágico que muitos recordarão por muito e muitos anos.

Texto publicado originalmente em www.ruadebaixo.com

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Playlist da Semana:

Todas as semanas, uma Playlist, uma lista com as 10 melhores canções que nos passaram pelos ouvidos, durante a semana:

1 - Gang Gang Dance - MindKilla

Se todas as canções forem deste calibre, Eye Contact é o disco do ano por 15-0. Vozes juvenis, sintetizadores loucos, coros que sobem alto, muito alto. No final uma sirene, claro sinal de fim de festa, de um caos que é tão perigoso quanto entusiasmante. Brilhante.


2 - Tyler, The Creator - Yonkers

Terapia nº 2 para Tyler, The Creator, o tipo que anda em tudo o que é capa de publicação dedicada à música. O disco pode não estar ao nível do seu ego/ambição, mas "Yonkers" é a prova de que este pode ser um ano enorme para o hip hop - regresso em disco de Sims of Doomtree e o regresso, depois da pena de prisão - de Lil Wayne.


3 - Smith Westerns - All Die Young

Conseguimos imaginar os Bee Gees ruídos de inveja perante o falsete de Cullen Omori.


4 - Pj Harvey - The Last Living Rose

PJ Harvey: obra-prima aos 40.


5 - Panda Bear - Tomboy

Panda Bear reinventa-se e evita o tombo.


6 - Fleet Foxes - Montezuma

Vozes e harmonias ao alto: os Fleet Foxes estão de volta, três anos depois da obra-prima homónima. Depois de ouvir estas 12 canções, a vontade é de agarrar na enxada e colocar este país a andar para a frente.


7 - Beastie Boys - Make Some Noise

Façam barulho para o regresso dos Beastie Boys em grande forma.


8 - Ty Segall - You Make The Sun Fry

É apenas mais uma (grande) canção rock - e nós gostamos.


9 - Beyoncé - Run the World (Girls)

Se o ritmo a que Beyoncé se lembra de fazer uma grande canção continuar com esta regularidade, daqui a 20 anos teremos direito a uma magnífica compilação. Samplar Major Lazer ajuda. Ela manda.


10 - Cass Mccombs - The Lonely Doll

Em semana de concerto na ZdB, "Lonely Doll" dos Cass Mccombs. Assim se adormece uma criança.