quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Discos do Ano - 1º: Janelle Monáe - ArchAndroid


Agora que as oportunistas (Duffy, Adele e afins) desapareceram tão rápido como apareceram, agora que a soul já não é uma moda capaz de encher estádios e Amy Winehouse já não aparece todo o santo dia nos tablóides britânicos, agora, meus caros, é a altura certa para Janelle Monáe se mostrar. Arch Android vai a todas - tal é fácil notar logo à segunda canção (a primeira é a intro), "Dance or Die": spoken word do grande Saul Williams, baixo pulsante, Monáe a esgrimir rimas pedidas de emprestado ao hip hop e um caos sónico que culmina num solo ácido. Já ganhámos o dia, mas há mais. Há jazz, funk, r&b, soul (muita soul) e rock psicadélico. Monáe quis fazê-lo em grande e foi isso mesmo que fez. Na primeira metade é uma artista em estado de graça, um conjunto de canções pop perfeitas. A segunda metade é um objecto estranho, menos entusiasmante, mas nem por isso menos bom. É como se a primeira metade fosse uma explicação teórica, mas positiva desse Mundo que é referenciado algures em 3005 (!), e a segunda metade fosse a explicação prática. Um "Ok! Isto não é assim tão bom, pelo contrário, é terrivel e não há grande volta a dar”.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2010: O ano em que mundo (da música) se voltou a unir por uma causa

Dia 12 de Janeiro de 2010, um sismo e duas réplicas violentíssimas no Haiti. Um mundo (da música) predisposto a ajudar, chegou-se afrente.

Os Arcade Fire - que, se bem se lembram, em Funeral incluiram, precisamente, uma canção chamada "Haiti" - venderam os direitos de "Wake Up" - canção maior que a vida e, ironicamente, diriamos, capaz de provocar um sismo ou, pelo menos, uma réplica - para uma campanha publicitária do Super Bowl, o maior evento de futebol americano.



Shane MacGowan (The Pogues), Nick Cave & Johnny Depp gravaram uma canção de beneficência:


Kanye West, Kid Cudi, Snoop Dogg, Lil Wayne, Brian Wilson e uma armada de artistas menores gravaram um remake de "We Are The World":