terça-feira, 21 de julho de 2009

[Reportagem] Festival da Lusofonia, Estádio Municipal de Oeiras - dia 19 de Julho


A última noite do Festival da Lusofonia, em Oeiras, foi, arriscamos, a noite com a média de idades mais baixa de todo o evento. Não surpreende. Oquestrada, Da Weasel e Buraka Som Sistema compunham um cartaz jovem.

Os primeiros a entrar em palco foram os Oquestrada, que haviam estado dois dias antes em Sines para o Festival de Músicas do Mundo. A banda explora terrenos como o fado (guitarra portuguesa), folclore e até, ainda que raramente, algum jazz. Os seis elementos que compõe o projecto divertem-se e divertem os presentes. Cada um tem o seu momento exibicionista – com ou sem instrumentos – o que serve para entreter um recinto que já se começa a compor para o concerto de Da Weasel. No final, visivelmente satisfeitos, tocam «mais uma», que afinal são duas e fecham a loja com a sensação de dever cumprido.

Os Da Weasel estão melhores que nunca. A banda de Almada surpreende com um início «rockeiro», composto por "GTA" e uma surpresa, "Selectah", que andava fora do espectáculo da Doninha há já algum tempo. Há que abrandar a toada e servir o conjunto infernal de êxitos que são temas como "Força", "Dialectos de Ternura", “Adivinha Quem Voltou”, "Re-Tratamento", e "Nunca me deixes", estas últimas duas no pior que os Da Weasel já fizeram. Desta vez não houve o habitual mortal de Virgul, mas houve as habituais vénias de Pacman a Jay Jay, um mini-set de DJ Glue dedicado a Michael Jackson e uma passagem por "Killing in The Name" dos Rage Against The Machine. Para o fim, o regresso do rock puro e duro com "Bomboca (Morde a Bala)" e "Niggas" e um regresso, já em encore, com "God Bless Johnny" e o já clássico "Tás na Boa". Pelo meio uma paródica menção ao final de "The Beautiful People" de Marilyn Manson por Virgul. Concerto da noite.

Seguia-se a banda mais internacional que Portugal alguma vez viu nascer. O público não descola da frente do palco. Os Buraka Som Sistema (BSS) têm a noite ganha à partida. A disposição dos músicos em palco não é a nada convencional. Do lado direito a bateria, do lado esquerdo a percussão, as duas em claro confronto num frente-a-frente moderado pelo DJ de serviço, DJ Riot, mais atrás, mas ao centro. Os dois MC's de serviço partilham o resto do palco com as duas bailarinas/vocalistas que fazem as vozes femininas e estão encarregues de animar as hostes. Por esta altura os êxitos já são muitos. "Yah", "Aqui Para Vocês", "Kalemba" e "Sound of Kuduro" são pontos altos de um concerto explosivo. O som de "Killing in the Name Of" chega a fazer-se ouvir de novo, mas desta vez não há Michael Jackson. Há The Prodigy com "Poison" e AC/DC com "Thunderstruck". A chave do sucesso dos BSS não passa apenas pelo palco, mas sabe-se que essa é uma das faces importantes da enorme projecção que o grupo da Amadora goza neste momento. Vieram de Berlim e vão para o Japão. No mínimo, impressionante.

Nota: A foto não representa o concerto em questão

domingo, 19 de julho de 2009

[Reportagem] - Esta - 17 de Julho - Fábrica da Pólvora, Oeiras

Inserido na programação que festeja os 250 anos do concelho de Oeiras, o concerto dos israelitas Esta foi um brilhante manifesto cultural. Lia-se no guia dos concertos realizados e a realizar, nos próximos dias, na Fábrica da Pólvora, que Bill Clinton havia apelidado estes músicos de "maravilhosos". Clinton, sabe-se, não é nenhuma referência no que à cultura musical diz respeito, mas a menção tinha o óbvio objectivo de abrir o «apetite». Abriu.

À hora marcada, os cinco músicos entram em palco. Colocam-se num frente-a-frente com o público com um parafernália de instrumentos – que incluíam gaita de foles, pandeireta e guitarra acústica - bastante variada. O início exclusivamente instrumental dá lugar a um conjunto de belas canções interpretadas com mestria pelos cinco músicos que são pau para toda a obra. Dois são responsáveis pelas cordas – guitarra acústica, cavaquinho, guitarra eléctrica, baixo –, a vocalista para além de dar a voz também toca castanholas – o que dá uma sonoridade mais latina ao concerto –, há um responsável pela secção rítmica e um multifunçoes que se ocupa da gaita de foles, trompete, flautas de todos os feitios e saxofone.

A actuação incluiu demonstrações de virtuosismo no saxofone e na bateria – um interminável solo –, e um encore bastante celebrado que acabou com todos os membros da banda junto da assistência. Antes, a doce vocalista da banda lia sentada – e descalça, como mandam as regras – uma profecia quase tão aplaudida como as canções.

No final aceitamo-lo. Bill Clinton percebe do assunto. Os Esta são «maravilhosos».