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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

[Reportagem] Offbeatz # 21 - 19 de Janeiro - Musicbox


Um Musicbox bem mais cheio que aquilo que é normal à quarta-feira. Noiserv (na foto), tal como B Fachada (curiosamente, ambos editaram pela Merzbau), é um fenómeno que arrasta multidões - não grandes multidões, mas multidões. Multidões de atentos, mas não curiosos - depois da actuação do músico de Lisboa, muitos foram os que abandonaram a sala e perderam a actuação dos Sick Strippers.

Quando Noiserv sobe ao palco parece que temos uma banda no mesmo ou, pelo menos, uma vasta parafernália capaz de simular vários instrumentos em simultâneo. Mas o que temos é um músico, David Santos, que se limita a tocar tudo aquilo que ouvimos em palco e que usa vários sons do dia-a-dia. Entre menções na Pitchfork e outros louvores cá do burgo, Noiserv é dono de um incontestável talento. Nota baixa para o público mais afastado do palco que, para além de não ouvir, também não deixou ouvir quem, pelo menos, tentava faze-lo.

Já os Sick Strippers são quatro miúdos cheios de estilo e carisma que raramente perdem a compostura. Punk, rock e blues (alguns apontamentos slide) não foram suficientes para estabelecer uma química entre banda e público. Das três uma - ou é pose ou ainda estão muito verdes nestas andanças dos espectáculos ao vivo ou quatro canções não são suficientes para os avaliar em palco.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

[Reportagem] Offbeatz # 20 - 12 de Janeiro - Musicbox


O Offbeatz monta acampamento no Musicbox todas as Quartas. São apresentados dois vídeos e são também duas as bandas que tomam de assalto o palco da sala lisboeta. Esta semana, Klepth e Terrakota apresentaram os vídeos, mas foram as Bellenden Ker e os Utter que animaram verdadeiramente as hostes. Ambas cantam em inglês e vão buscar inspiração ao passado.

Primeiro as meninas - quatro, com aparência de bonecas e descendentes directas das riot-grrrl que no final de década de 80 e inícios da de 90 reclamavam os seus direitos em explosivas actuações ao vivo. Punk-rock cru, composto por meia-dúzia (ok, metade) de acordes. Não sabem cantar, mas orgulham-se nisso e incitam o público: "Esta é para partir tudo". No final, o público premeia a revolução - "mais uma" grita-se no Musicbox. Mais uma, pois então.

Da mesma Braga que os Peixe:Avião chegam-nos os Utter, um quinteto que se apresenta no myspace: "A nossa música é inspirada no espaço e na viagem (...) ouvindo a nossa música, queremos que as pessoas sejam puxadas para um espaço imaginário onde tudo é controlado pelo natural equilíbrio do Universo". Na prática, os Utter lembram-nos os Band of Horses e os Sigur Rós em "Into the Light", os Radiohead (mais experimentais) em "The Walking Dead" e os Pink Floyd numa muito épica (com um solo muito Gilmour lá dentro) canção que ficámos sem conhecer o título. Um som progressivo, canções que crescem até tornarem-se épicas, um rock emocional sem suar a emo-treta. Mostraram aos Klepht como se faz.